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Reviproject – Qual é a síntese que faz dos 25 anos de actividade da BRESIMAR?

Sr. Carlos Breda - Começámos como uma pequena empresa de comércio de material eléctrico para a indústria, construção civil e naval. Hoje somos um grupo multifacetado, em que se conjugam as representações, os serviços e os projectos na área da automação e accionamentos. A história da BRESIMAR reflecte a evolução da indústria portuguesa e também reflecte a nossa especialização na área industrial. O crescimento da BRESIMAR assenta, nos primeiros anos, na oferta de produtos e equipamentos inovadores, através de marcas de representação exclusiva. Entre elas, estão marcas como IFM electronic, Datalogic, Red Lion e Brodersen, que a BRESIMAR ainda hoje representa.


Reviproject – Quando é que se dá a focagem nas áreas dos accionamentos e da automação industrial?

Sr. Carlos Breda – Não foi uma focagem instantânea, com uma data precisa. Foi um processo que se concretizou ao longo da década de 90, com a introdução de uma nova gama de produtos na área do accionamento e controlo de velocidade e com o reforço da equipa com recursos humanos especializados e vocacionados para os serviços de suporte técnico ao cliente. A organização cresceu não só em número, mas em capacidade de serviço. A nova sede em Aveiro foi inaugurada em 1999. No ano 2000, a BRESIMAR certificou o seu Sistema de Gestão da Qualidade segundo a norma NP EN ISO9001:2000.


Reviproject – A prestação de serviços começou a ganhar peso face às representações?

Sr. Carlos Breda – As duas coisas são complementares. Por um lado, a carteira de representações alargou-se a marcas de grande reputação como BECKHOFF, BEIJER, ORIENTAL MOTOR, LAE ELECTRONIC, e várias outras. Ao mesmo tempo, a BRESIMAR assumiu a responsabilidade de distribuir marcas como SIEMENS e PILZ. A vocação da BRESIMAR nunca foi apenas a de revender, pelo que a actividade tem uma componente de serviço muito forte. A parceria que temos com as várias marcas - representadas e distribuídas - também se estende à área dos serviços, incluindo a formação especializada.


Reviproject – Entretanto, começaram a surgir empresas autónomas para várias áreas. Porquê?

Sr. Carlos Breda – Começámos por participar na fundação da Sersordin, em Santa Maria da Feira, uma empresa dedicada à comercialização de equipamentos eléctricos. A partir do ano 2000 constatámos a necessidade de iniciar uma nova área: o desenvolvimento de soluções e sistemas, englobando serviços de engenharia, software para automação, etc.. Achámos que este tipo de actividade devia ser desenvolvido através de uma forte especialização. Em 2001, criámos na BRESIMAR a área “ASA”, que significa “aplicações e sistemas de automação”. A missão da ASA vem dar resposta às necessidades da indústria e completar a área de representação e distribuição da BRESIMAR. É a nossa área de soluções integradas. Sem esta área, a BRESIMAR dificilmente continuaria a crescer no mercado da automação. "Integração" e "soluções completas" são os novos nomes da automação. Por isso vamos continuar a apostar nesta área.


Reviproject - Mas, lado a lado com a ASA, surgiram as empresas Exatronic e Selmatron...

Sr. Carlos Breda - São empresas juridicamente distintas e correspondem a equipas igualmente distintas. A razão de ser é a sua especialização. A Exatronic é uma empresa engenharia electrónica, especializada no desenvolvimento de soluções integradas, tendo como mercado preferencial a indústria de construção de máquinas, equipamentos industriais, telecomunicações e indústria automóvel. A Selmatron, criada em 2005, é uma empresa especializada em serviços de instalação, manutenção e em projectos eléctricos industriais. As várias empresas têm aspectos essenciais em comum, como a visão estratégica de grupo, a dedicação ao cliente, o rigor, qualidade e pontualidade do serviço, etc.. Mas são áreas de actividade muito diferenciadas, em que a autonomia representa uma vantagem, para a organização e para o Cliente.


Reviproject – Esta forma de expansão da actividade através de novas empresas vai continuar nos próximos anos?

Sr. Carlos Breda – Vamos consolidar a nossa organização. Já se equacionou a transformação da BRESIMAR em sociedade anónima e a adaptação da organização a uma lógica de grupo. Não excluímos a participação noutras empresas e o planeamento estratégico também inclui a internacionalização. Todavia, vamos manter a nossa dedicação prioritária ao mercado industrial português.


Reviproject – A BRESIMAR também é detentora de marcas próprias. Porquê a aposta em marcas próprias?

Sr. Carlos Breda – A BRESIMAR não tem marcas próprias no sentido de marcas concorrentes com as representadas. As nossas marcas foram registadas para os produtos que são desenvolvimentos e fabricados pela BRESIMAR. Detemos as
marcas Asatek, que é uma marca de software de engenharia, e TekOn, que é a marca de sondas de temperatura e nível fabricadas pela BRESIMAR.


Reviproject – Qual é o factor decisivo na estratégia de crescimento da BRESIMAR?

Sr. Carlos Breda – A focagem nos serviços e nas soluções completas e integradas faz com que o factor decisivo seja a qualificação dos nossos recursos humanos. Actualmente a BRESIMAR conta com 33 colaboradores (65 em todo o grupo) e a percentagem de licenciados é de 60%.


Reviproject - Na óptica de uma empresa que está "no terreno", como é que encara o futuro imediato da indústria portuguesa?

Sr. Carlos Breda - Os clientes tendem a achar que os fornecedores são sempre optimistas porque querem vender os seus produtos. Como disse, a BRESIMAR está "no terreno" há 25 anos e durante esse tempo assistimos a todo o tipo de situações, positivas e negativas, esperadas e inesperadas. Aprendemos que o futuro da indústria portuguesa depende mais das escolhas tecnológicas das empresas do que das "políticas" de um ou outro governo. O nosso papel é estar à altura de procurar, propor, preparar e concretizar as soluções tecnológicas que permitam às indústrias portuguesas produzir mais e melhor e serem mais competitivas. As nossas perspectivas e objectivos de crescimento assentam no crescimento da actividade industrial. Portanto, se prevemos continuar a crescer é porque acreditamos no potencial da indústria portuguesa e no peso da tecnologia na concretização desse potencial.
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